Lembro-me como se fosse hoje: eu parei meu carro para minha mãe descer em frente ao Centro de Saúde da minha cidade, minha mãe abre a porta e vê aquele filhotinho de gato, três cores, encolhidinho na guia da sarjeta. Minha mãe o pega, e voltamos para minha casa, o colocamos na cozinha com leite e ração mole e fomos trabalhar. Na hora do almoço, vimos que era uma gatinha (as três cores denunciavam isso...rs) dócil, olhos atentos e, ao pegá-la, eu disse "Você se chama Nathália... com "th", pois é mais chique!"
E se foram 15 anos vivendo conosco!
15 anos, 3 crias, castração, problema na gengiva (veterinário retirou alguns dentes e outros caíram), entrava no cio direto (castração), problema no rim (remédios e consultas), até que sábado passado eu a levei para internar, pois não estava mais se alimentando... fui visitá-la, tirei fotos, mas na quarta-feira última, ela não me reconheceu mais... estava tomando soro, estava "fria", os olhinhos sempre atentos semi-abertos, quando a chamei não me ouviu mais, não mexeu as orelhinhas, não veio correndo e pulou em mim como sempre fazia...
Saí chorando e o veterinário me atendeu a explicou toda a situação dela: rim perdido, medicamentos não estavam mais fazendo efeito, e outras palavras difíceis que não faço questão de me lembrar... e ela morreu. Foi enterrada no quintal que tanto brincou, correu, bateu em outros gatos...
Chorei muito. Fiz promessa para São Francisco de Assis e Santo Expedito, mas a hora dela chegou e ela se foi! Sinto um vazio estranho, pois não preciso mais chamar bem alto "Nathália..." para ela vir comer, nem abrir a porta de vidro que ela tanto ficava encostada para entrar, nem entrar bem devagar com o carro, pois ela o acompanhava, nem bater em minha coxa e peito para vê-la pular em mim e ficar em meu colo "amassando pão"...
Não há nada mais emocionante e sincero nesse mundo que o amor de um animal por nós.
Sei que a Nathália está num lugar lindo, cheio de animais sadios brincando, correndo e me esperando. Tenho certeza absoluta de que ela vai me encontrar quando eu morrer também.
Ti amo, Nathália! Muito, muito, muito...

