domingo, 7 de agosto de 2016

Quando a vida perde o sentido

Nem sempre é preciso estar doente para perder o sentido da vida.
Muitas pessoas, incluo-me nesse meio, despertam, olham para o relógio, lembram-se de seus compromissos, porém a única coisa que desejam é continuar ali, debaixo dos lençóis e simplesmente fugir de tudo e todos. O desejo é apenas aquele: “que um buraco se abra e simplesmente sejamos engolidos por ele”.
Nesses dias, colocar os pés no chão é doloroso – é como se pisássemos em espinhos; a luz do sol parece apenas intensificar o sofrimento; e o calor do novo amanhecer é semelhante a uma chama que queima a alma, aumentando a angústia, a ansiedade e o medo.
Quando a alma chora, não há beleza do mundo. Não há cores, não há sons. O cantar dos pássaros soa apenas como mais um ruído ou se perde nas tempestades do coração.
Um pensador certa feita disse:

– Quando a alma chora, olho da janela do meu quarto e do, alto do meu prédio, não vejo a beleza da cidade. Vejo apenas a chance de silenciar meus tristes ais; de calar minhas lágrimas; de penetrar e me perder no esquecimento.

Estar no mundo é estar sujeito aos prazeres e desprazeres da vida. Ainda que se apele para a razão, nossas emoções muitas vezes falam mais alto. E se provocam sorrisos, não raras vezes também nos fazem chorar. Quem deseja viver intensamente, terá dias em que o sorriso vai brotar fácil em seus lábios; mas também deve aceitar que lágrimas não desejadas vão descer pela sua face. Nessas horas, muitas vezes a vida perde o sentido.
Quando isso acontece, resta-nos a fé.
E quando se perde a fé? Ultimamente só vou à igreja quando sei que não tem ninguém, para sentar, olhar para o vazio, aproveitar o silêncio, não pensar em nada.

(alguns trechos do blog do Ronaldo Ezo)






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