Nem sempre é preciso estar doente para perder o sentido da vida.
Muitas pessoas, incluo-me nesse
meio, despertam, olham para o relógio, lembram-se de seus compromissos, porém a
única coisa que desejam é continuar ali, debaixo dos lençóis e simplesmente
fugir de tudo e todos. O desejo é apenas aquele: “que um buraco se abra e
simplesmente sejamos engolidos por ele”.
Nesses
dias, colocar os pés no chão é doloroso – é como se pisássemos em espinhos; a luz do sol parece apenas
intensificar o sofrimento; e o calor do novo amanhecer é semelhante a uma chama
que queima a alma, aumentando a angústia, a ansiedade e o medo.
Quando a alma
chora, não há beleza do mundo. Não há cores, não há sons. O
cantar dos pássaros soa apenas como mais um ruído ou se perde nas tempestades
do coração.
Um pensador certa
feita disse:
– Quando a alma chora, olho da janela do meu quarto
e do, alto do meu prédio, não vejo a beleza da cidade. Vejo apenas a chance de
silenciar meus tristes ais; de calar minhas lágrimas; de penetrar e me perder
no esquecimento.
Estar no mundo é
estar sujeito aos prazeres e desprazeres da vida. Ainda que se apele para a
razão, nossas emoções muitas vezes falam mais alto. E se provocam sorrisos, não
raras vezes também nos fazem chorar. Quem deseja viver intensamente, terá dias em
que o sorriso vai brotar fácil em seus lábios; mas também deve aceitar que
lágrimas não desejadas vão descer pela sua face. Nessas horas, muitas vezes a
vida perde o sentido.
Quando isso
acontece, resta-nos a fé.
E quando se perde a fé?
Ultimamente só vou à igreja quando sei que não tem ninguém, para sentar, olhar para
o vazio, aproveitar o silêncio, não pensar em nada.
(alguns trechos do blog do Ronaldo Ezo)
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